Impressões de mais um Campeonato Brasileiro

2010/12/06

O BR 2010 chegou ao fim e vamos analisar dentro do que esperávamos:

As três equipes que disputaram o título eram favoritas. Decepção por parte do São Paulo, que ficou muito aquém do esperado e do Grêmio, que demorou muito para engrenar. Sem falar no Internacional, que com a disputa do mundial, deixou o torneio nacional de lado.

Sobre o Santos, ja esperava uma baixa, com as saídas de atletas e a contusão do Ganso.

Na parte de baixo da tabela, nada demais. Apenas um Flamengo, que até então era o Campeão, disputou a Libertadores e no segundo semestre, se entregou, como um doente faria em fase terminal. Melancolicamente, se safou do rebaixamento, porque os dois candidatos à vaga se enfrentaram. De outro modo, poderia ter caído na última rodada.

O campeonato consagrou mais uma vez a competência incontestável de Muricy Ramalho. Um treinador fantástico, de caráter (recusou a seleção e sempre cumpriu seus acordos), que com um ótimo elenco e um tal de Conca (o melhor dos últimos anos e uma pena não ser brasileiro), chegou ao tetracampeonato de sua carreira.

O Fluminense foi o time que mais liderou o torneio e para mim, só não tem o título de uma forma incontestável porque recebeu seis pontos de graça de São Paulo e Palmeiras. Por essa única razão, acho que por justiça, a taça deveria ir para Belo Horizonte, com o Cruzeiro, equipe que apresentou o melhor futebol, mais ofensivo, mais belo de se assistir. O Flu poderia ter vencido os dois times paulistas? Sim, mas acho difícil que ele conseguisse os seis pontos como o fez. O que nas contas, fica simples perceber que seria ultrapassado pelo time mineiro.

O que não chega a ser uma novidade, já que no ano passado, a entregada ridícula de Corinthians e Grêmio, fizeram o mesmo acontecer: o Flamengo se sagrou campeão, em um torneio que já tinha dono, o Internacional de Porto Alegre.

A rivalidade regional traz uma conduta antidesportiva, que acaba tirando os méritos e manchando campanhas tão brilhantes. Isso porque essas equipes já não tem objetivos no torneio. Essa sujeira só poderia ser barrada com a volta do mata-mata. Se oito times se classificassem para as finais, São Paulo e Palmeiras não teriam feito esse papelão. E aí meu amigo, é cada um por si. Ou vence o seu adversário, ou está fora. Quem tiver competência passa e é campeão.

Ou dá para dizer que em um campeonato em que times entregam jogos, o resultado final é justo? Por muito menos, Felipe Massa foi ameaçado de uma prisão! No futebol, fazem vista grossa. Mas e se esse benefício fosse a favor de Flamengo e Corinthians, equipes certamente mais odiadas do futebol nacional? Seria um título roubado? Teria esquema?

Tragam o mata-mata pelo bem do futebol brasileiro. Aqui não é Europa. Ser feito no velho continente não significa dizer que é melhor. O Brasil tem outra cultura, e a malandragem do jeitinho brasileiro torna um torneio bonito em uma coisa suja.

Quais foram os melhores jogos da última rodada do torneio? Para mim, Grêmio x Botafogo e Vitória x Atlético/GO. Porque? Confronto direto! Dois times querendo a vitória e um objetivo em comum.


Ricardo Teixeira vai largar o osso?

2010/11/04

Foi o próprio João Havelange quem declarou que o genro Ricardo Teixeira deve deixar a CBF para comandar a Fifa em 2015, após preparar uma boa Copa do Mundo.

Será que isso é uma coisa boa? Talvez a CBF comece a andar e realmente fazer o bem para os clubes e principalmente, para os torcedores brasileiros, que sofrem cada vez mais com interesses políticos do mandatário.

Mas por outro lado, como vai ficar a Fifa com uma pessoa como essa? A única esperança que é que a entidade tenha força suficiente para conter a insanidade de Teixeira.

Pelo bem do futebol brasileiro, que 2015 chegue logo!


Morumbi cada vez mais distante da Copa

2009/09/22

Ao invés de resolver o problema, a nova proposta do São Paulo só agravou.

Agora, o secretário geral da Fifa explicou que não é só a parte externa que complica a viabilização de partidas no mundial no local.

A estrutura interna foi fortemente criticada, por contar com pontos cegos, péssima estrutura de saída dos torcedores, acomodações irregulares para imprensa, falta um número mínino de camarotes e não atingir os 65 mil lugares sentados com a reforma.

Juvenal Juvêncio rebateu e declarou que consegue reformar para 60 mil, e que esse é o número exigido.

Ainda que consiga tudo isso e possa melhorar o acesso da torcida ao local, o clube tem mais um problema: o dinheiro.

Grande parte dos estádios será reformada com dinheiro do governo, por se tratar de um local público, como Maracanã e Mineirão.

Só que o Morumbi é particular e é totalmente anti-ético, retirar dinheiro dos cofres públicos para se reformar um estabelecimento comercial privado.

Para piorar o histórico, basta lembrar que o terreno onde foi construído o estádio foi doado por Laudo Natel, Governador da época e a verba para construção, veio do mesmo caminho.

Polêmico ou não, nem prefeitura, nem Estado e nem Governo Federal desejam entrar nesse caso.

Com isso, o presidente tricolor tentou buscar verbas de parceiros privados, mas não encontrou ninguém disposto a investir em algo que não terá retorno.

Os jogos do São Paulo que lotam são apenas os decisivos e com a decisão de Corinthians e Palmeiras não atuarem mais no estádio, a receita diminuiu considerávelmente.

A última cartada é o BNDES, que pode fazer um grande empréstimo para o clube.

Mas será que vale a pena?

Tanto Federação Paulista, quanto CBF desejam erguer uma nova arena, a mais moderna do país. O orçamento não é muito maior do que a reforma do Morumbi.

Isso animou o Governo Federal, que faria o que fez com o Engenhão, repassando ao clube que não tem estádio capaz de receber sua torcida: o Corinthians.

Se essa guerra vai acabar logo, eu não sei. Só não sei se vale a pena remar tanto contra a maré, por pura vaidade.


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